Pedir ajuda é algo que fazemos desde quando nascemos. Por meio de um choro, comunicamos em um tom alto o suficiente para expressar que algo está errado, que um desconforto toma o nosso corpo naquele momento, mesmo que não saibamos identificar e dizer o que e como é essa sensação.


Conforme vamos crescendo, experimentamos suportes distintos para desconfortos e situações das mais diversas, assim como a ausência de alguns suportes que foram necessários e também comunicados de muitas formas. Aqui passamos a compreender quando podemos pedir ajuda, como conseguimos solicitar para que tenhamos suporte, desenvolvendo também a compreensão de quando e aquilo que, por diversas situações de privação, passamos a inibir a comunicação dessas necessidades.


“Como é que ele não percebe o quanto isso faz mal para ele?”

“Você tinha que ter me falado antes, olha aí no que deu!”

“Quando vi, não tinha mais como voltar atrás.”


Embora sejam frases fictícias, elas retratam na devida proporção da vida de cada um, observações relatadas e testemunhadas diariamente. As pessoas às quais essas falas se referem, têm privadas de si a compreensão da necessidade de suporte para essas circunstâncias específicas. Privações essas que podem ocorrer por uma infinidade de experiências na história de vida de cada um de nós, mas que podem ser revisitadas e elaboradas de uma outra forma por meio de um processo terapêutico, facilitando a forma dessas pessoas lidarem com possibilidade de solicitar ajuda diante de uma situação adversa, enfim, uma necessidade como a daquele bebezinho que um dia chorou e hoje, mesmo com mais recursos comunicativos, não fala.


Peça ajuda, forneça a possibilidade de espaço seguro para que a outra pessoa possa expressar sua necessidade de ajuda. Em algumas circunstâncias e contextos, expressar a necessidade de ajuda pode manifestar frustrações e um sofrimento profundo, por isso a importância de um espaço seguro e sem julgamentos para que seja expressada. Para isso tem uma forma de abordagem que eu gosto muito, pois vejo que ela acolhe e proporciona liberdade para a pessoa experienciar o cuidado.

“Quando se sentir à vontade para me procurar, estarei aqui para te ouvir e te ajudar no que for necessário.”